
Vir a Bordéus é realizar um sonho, entre os produtos da terra e do mar exemplares do Sudoeste e a omnipresença do vinho. Aqui fica um caderno de notas com sabores numa cidade maravilhosa, a visitar. Ponto de passagem obrigatório a livraria Mollat, na Rua Vital Carles, próximo da Place Gambetta e a melhor livraria do Mundo.
Cordeiro de Pauillac - Prepara-se com bastante alho mas com os dentes inteiros, sem este se imiscuir na delicadeza da carne. Uma das receitas opcionais é o cordeiro de 7 horas que evoca calma da espera e a baixa temperatura a garantir o suculento da carne. A épaule é a perna da frente e o gigot a de trás. Imbatível na suavidade da textura e na delicadeza do gosto. O único concorrente que conheço para o Cordero de Magallanes chileno que tem um gosto mais herbáceo e silvestre.
Manteiga Étiré - É uma manteiga da AOC (DOC) de Entre-Deux-Sèvres, doce, gostosa a pedir para ser posta nas tábuas de queijos para acompanhar bons vinhos.
Queijo Rocamadour (Cabra) - Uns queijos pequeninos, com uns 3 centímetros de diâmetro, cremoso, que acrescentam complexidade ao queijo de cabra nos seus perfumes campestres, com um final de boca forte de fungos.
Queijo Comté 24 meses (Vaca) - Confesso que achava os Conté um pouco aborrecidos e com um final adocicado e monótono. Os afinados com 24 meses são uma outra história e rivalizam com os queijos suiços de pasta dura no seu equilíbrio e gosto.
Ostras de Marenne - No mercado dos Capucins existe um vendedor de ostras e mais nada. Dois tipos, vários calibres, e um paladar único: um pouco salgadas, perfume de mar a pedir um branco muito seco onde as notas doces fazem um contraste divertido para o palato.
Foie-Gras Mi-Cuit - Pois, quando nas latinhas virem Canard du Sud-Ouest, já sabem que é aqui que os animais viveram. Não havendo necessidade de latas, cozinha-se o dito fígado e é apresentado no prato com uma boa camada de gordura deliciosa e nada enjoativa no meio de um prato aspergido com flor de sal e pimenta preta.
Magret de pato - O bife tirado do peito do pato, e que conserva a sua camada de gordura, é uma carne soberba, se deixado rosa. Acompanhado de uma redução com chalotas, vinagre balsâmico e um pouco de mel equilibra-se a secura da carne e o paladar forte da carne de boa criação, num repasto delicioso e substancial.
Nesta estadia passei a achar os restaurantes um mal necessário para quem quer conhecer vinho, e os seus rivais, que podiam ser os ou Bar à Vins muito pobres nas suas selecções à parte o CIVB (Conseil Interprofessionnel du Vin de Bordeaux) onde os vinhos são seleccionados por um enólogo e propostos a preços razoáveis e acompanhados de uma selecção gastronómica muito agradável. Cuidado com anos inferiores e vinhos banais.
Como nem só de comida-chique vive o homem, não gosto de deixar França sem ir a um marroquino, desta vez libanês, pedir uma salsicha merguez na grelha posta no pão apenas com uma mostarda daquelas que sobe ao nariz e carradas de harissa. A acompanhar um sumo tropical. Abaixo os gourmets!