Tuesday, March 9, 2010

Essencia do Vinho 2010

Estas notas foram obtidas no Domingo, com umas garrafas de água no bolso e dois copos na mão. Não se tratam de notas de prova completas mas impressões apenas, e de um amador.

AVISO: Investir em vinho requer conhecimentos aprofundados. Estas indicações não são recomendações de compra de um profissional. Prove, compre do que gosta e vá bebendo. Mas prove.

Brancos
Ameal 2007 escolha
Devo advertir que o Quinta do Ameal 2007 foi minha companhia regular nos fins de tarde de fim de semana do Verão de 2009. As notas cítricas e a acidez do Loureiro convenceram-me, um vinho perfeitamente apto para ser bebido sozinho e implacável com o calor do fim de tarde. A Escolha é um vinho diferente, com notas de pêssego/alperce, madeira muito discreta como deve ser. O 2008 (sem garrafa) ganhou um nariz mais interessante, maior volume na boca e um pouco mais de acidez, que para mim é qualidade.
Ameal espumante 2002(??)
Cor amarelo intenso, nariz intenso, mel e notas de pastelaria a antecipar algum vinho da Alsácia, até um Gewurztraminer. Na boca a surpresa completa: a doçura a desvanecer-se, como se fosse extremamente seco e a retirar-se de cena na altura certa como um actor experimentado. Bendita dupla personalidade.

Tintos (Bairrada)
Campolargo Baga 2008 barrica
Amigos, a fruta destas uvas é um espanto, com notas de frutos vermelhos muito mais.abertas do que nos Baga tradicionais. Mas com o carácter seco e contido que contém a fruta os vinhos de Baga. Estou morto de curiosidade de o provar da garrafa. Não sei se se trata de 100% Baga.
Calda bordaleza 2006
A minha rainha das castas chama-se Merlot, e Portugal tem aqui um grande vinho. Poucas vezes poem seda nos vinhos, mas este tem. Vive la Bairrada!
Diga 2007
Petit Verdot. 

Tintos (Douro)
Pois é, uma pessoa que como eu tem uma antipatia por vinhos de anos quentes com notas dominantes de fruta confitada, no meio dos 2007 sente-se como um judeu em dia de matança de porco. Mas temos boas notícias: em 2008 houve temperaturas mais baixas a permitir mais dias de vindima e em princípio uma escolha mais criteriosa e ponto de maturação mais homogéneo. Não vou repetir nas notas dos vinhos as razões pelas quais para mim 2008 é um ano que me agrada muito mais do que 2007, e onde os vinhos parecem ter maior volume e frescura, características que considero positivas.
Não escondo de ninguém que o meu vinho favorito do Douro é o Quinta do Noval. Notas silvestres como é apanágio de um Douro nobre, um vinho fresco, com uma fruta vermelha fresca que é impossível beber e causar cansaço. O 2007 segue o mesmo estilo de 2005, revelando ainda muita capacidade de evolução. O Cedro do Noval 2007, agora com Sirah, tem um estilo diferente, ainda mais fresco e com nariz de notas herbáceas. O António Agrelos é um homem corajoso ao ir contra-corrente e não receando fazer um vinho de classe, onde nada é óbvio e tudo é delicado.
A surpresa do dia foi a prova do Quinta do Crasto Reserva 2008 Old Vines, ainda sem garrafa, com um nariz de especiarias e cacau delicioso e uns taninos gostosos de causar calafrios. O Vinhas Velhas 2007 é um vinho com uma concentração de aromas mas que nem por isso perde complexidade. Posso estar enganado mas Quinta do Crasto parece ter grandes vinhos de guarda para quem queira e saiba esperar.
O Vale Meão 2007 tem um nariz de notas balsâmicas a envolver a fruta, e um corpo extremamente equilibrado para um 2007. Impressionante como um grande vinho também se pode beber com facilidade e muito prazer. A minha recomendação para quem se quer iniciar aos grandes Douros.


Porto Vintage
Dow's 2007
Uma delícia, na boca cassis, ameixa, tudo bem estruturado e preciso.
Warre 2007
Havia algo de esquisito com esta garrafa de Warre, muito álcool, muito difuso. Exige nova prova.
Noval 2007
A primeira impressão foi de notas demasiado licorosas, mas lá por baixo o vinho tem taninos fechados, explosivos, que vão dar muitas alegrias nos próximos anos. Parece-me o Vintage 2007 com maior potencial de guarda.
Silval 2007
Vinho de várias quintas, preciso, quase pronto a beber, com o carácter herbáceo peculiar do Noval.

Prémios Delicatum 2009

Melhor Vinho Tinto - Quinta do Noval 2005 e Montbousquet 2001
Melhor LBV - Warre LBV 2000
Melhor Vinho Branco (não incluindo Redoma Reserva) - Quinta do Ameal 2007 e Soalheiro Primeiras Vinhas 2007

Melhores Nozes - Pata Negra, marca Barros
Melhores frutos secos semi-curados - Seeberger
Melhores compotas - Sabores da Gardunha

Iogurte - Andechser
Mozzarela di Buffala - Granarolo
Manchego - Flor de Mi Pueblo
Parmiggiano Reggiano - Virgilio
Manteiga - Président "La Motte"

Melhores anchovas - Anchovas do Cantábrico El Corte Inglés
Melhor chouriço - Gran Doblón (Campofrio)
Melhor presunto fatiado - Extremadura (Navidul)
Melhor atum - Tenório

Grandes superfícies: Auchan pela selecção de queijos marca branca italianos (Pecorino Romano e Grana Padano), espanhóis (semi curado) e  franceses (Colommiers) a preços muito acessíveis

Melhor Pastel de Nata: Martinho da Arcada
Melhores Sandes de Lisboa: Nova Pombalina (leitão, queijo de Castelo Branco e Paiola e a raríssima de iscas de leitão...)
Melhor Bife: Rib Eye (Las Brasitas)
Melhor Restaurante de Comida Portuguesa: Jacinto (Telheiras)
Melhor Restaurante Japonês: Aya (Carnaxide)